terça-feira, 21 de abril de 2009

Saudades da Terra da Garoa


Faz tempo que a São Paulo da Garoa não mostrava sua face mais gelada, cinza e molhada.

A muito tempo que não víamos um dia como esse, dia que fez lembrar a infância, quando as mães agasalhavam os filhos para sair de casa pela manhã, infância brincando com luvas, toucas e estes utensílios usados para proteger do frio.


também lembra da face mais elegante de São Paulo, a população é forçada a se vestir (se vestir mesmo, quem mora na periferia sabe bem como o povo se "veste" por aqui), usar roupas que escondem o corpo, mas deixam mais elegantes as pessoas.

lembro-me também do apelido de terra da garoa que aos mais jovens pode soar meio irônico ou ate mesmo não fazer sentido, mas a quem viveu a São Paulo do frio e das fogueiras nas ruas sabe bem do que se trata o apelido.

Como era bom aquele tempo em que reuníamos os amigos pra fazer uma fogueira, tomar um vinho "chapinha", tocar violão, jogar conversa fora e curtir um pouco do frio e da garoa paulista.

E as quermesses nos meses de Junho e Julho ?, também conhecidas como festas juninas e julinas, que aqui se estendem pelo mês de julho, afinal de contas para muitos é uma oportunidade de ganhar um extra.

Lembro do tempo que chegávamos a estas festas, geralmente eu alguma igreja ou paróquia, loucos pra tomar um vinho quente, um quentão, ou mesmo ficar ali e fazer parte daquele momento, naquela época tocava-se musicas tradicionais, os dias de hoje são embaladas pelos tradicionais funk's proibidão.

Era bom acordar de manhã ou sair a noite com aquele tradicional nevoeiro que se formava no ar.

Hoje, talvez pelo aquecimento global, com certeza pela mão do homem os dias são mais quentes mesmo no inverno e a garoa tão tradicional de São Paulo não faz mais parte de seu cotidiano, em seu lugar o calor intenso, o tempo seco e as tempestades.

Neste feriado cinza, gelado e umido, me "bateu" uma nostalgia.

Saudades da São Paulo da Garoa.

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