domingo, 21 de março de 2010

Veja estratégias para conseguir um emprego na sua área

Experiência em outro setor pode ajudar estudante na busca de colocação

Por Roberto Machado, Universia

Aluno do primeiro ano do curso de Sistemas da Informação, na USJT (Universidade São Judas Tadeu), o estudante Thyago Kimio Kamozaki chegou a participar de alguns processos seletivos sem sucesso. Em princípio, isso não o desanimou. Àquela altura, o rapaz apenas começava a carreira universitária e o tempo parecia a seu favor. Entretanto, depois de outro ano sem emprego na área em que estudava, a opção foi trabalhar como auxiliar administrativo por um período enquanto a oportunidade não surgia. Para Kamozaki o motivo parecia óbvio. "Eles exigiam muitos cursos e conhecimentos que eu, na época, não tinha", explica ele. A questão que o atormentou na época foi a mesma que ronda a cabeça de muitos universitários: o que o estudante deve fazer quando as oportunidades na área não vêm e os meses para seu curso terminar estão contados?


Kamozaki continuou a enviar currículos e a marcar entrevistas depois do sexto semestre, mas dessa vez o problema deixou de ser a falta de cursos e passou para o lado da experiência profissional. "Havia aprendido e tinha me tornado capaz de realizar as funções pertinentes à minha área, mas como nunca havia estagiado, era difícil ser aceito em alguma empresa", argumenta o estudante. O importante para o quase formado estudante de Sistemas da Informação é continuar se aprimorando na área depois que o curso terminar e também investir no aprendizado de idiomas. "Acho que está tudo interligado, faculdade, idiomas, cursos especializados e força de vontade. Não me arrependo da área que escolhi e pretendo ingressar nela o mais rápido possível", declara ele.

Quem também passou por problemas na hora de ingressar no mercado de trabalho, mas por motivos diferentes dos de Thyago, foi Michele Jully Anne Kai, estudante de Propaganda e Marketing da UNIP (Universidade Paulista). Por motivos financeiros, ela resolveu continuar no emprego que tinha antes de começar a estagiar. "Pretendia trabalhar na área, mas se fizesse isso, não teria dinheiro para pagar minha faculdade", explica Michele, que é gerente de uma loja de artigos orientais. Ela, que ainda pretende trabalhar na área onde se formará, percebe que o mercado de trabalho busca por profissionais que tenham um diferencial a oferecer na hora de trabalhar. Por esse motivo a estudante faz planos de um intercâmbio depois de se formar e ingressar numa especialização. "Essa viagem vai ser importante na minha vida profissional e, também, pessoal", aposta ela.

Para evitar compor o grupo de estudantes que lutam sem sucesso por uma vaga na carreira para o qual estudam, a primeira alternativa é tentar a construção eficiente de canais de informação sobre a área e, a partir desse instrumento, buscar por contatos. As dicas são de Jeanne Marie, coordenadora de arquitetura e urbanismo da PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). "Não adianta ficar parado, é necessário ligar, perguntar e correr atrás de amigos, professores e profissionais", resume Jeanne, que acredita que tudo isso deve acontecer em parceria com a capacitação profissional. "Algo que pode ser feito por meio de palestras, cursos e até aulas de outro idioma são um diferencial na hora da entrevista", aconselha ela.

A coordenadora vai além e sugere que é possível usar a velha estratégia de bater "de porta em porta" para se aproximar dos profissionais que atuam no segmento que atrai o universitário. A professora exemplifica com o caso de um profissional em arquitetura cenográfica (projetos em teatro, televisão e eventos), que conseguiu ter sucesso na carreira porque quando era estudante resolveu arriscar e, sem receios, foi conversar diretamente com um dos melhores do ramo na época. "Ele se ofereceu para participar de um estágio não remunerado e aprendeu muito sobre o que engloba aquela parte especifica da profissão. É claro que essa realidade não é pertinente a todos, mas é uma ideia do que pode dar certo", exemplifica ela.

Contatos na universidade

O estudante também pode encontrar seu caminho dentro da profissão com aqueles que são provavelmente o embrião de sua rede de contatos profissionais: professores e coordenadores de curso. José Ermírio Ferreira de Moraes, professor e coordenador de engenharia química da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) acredita que a comunicação entre aluno, coordenador e professor é essencial no momento em que os futuros profissionais começam a participar de dinâmicas de grupo e processos seletivos. Segundo ele, é importante que o aluno tenha em mente que, nesse tipo de prova, não será testado apenas seu conhecimento técnico, mas também o seu lado pessoal. "Uma vez na seleção, eles devem se lembrar que a maneira com que eles falam, agem e se comportam, pode até ultrapassar o que se espera de conhecimento técnico", declara ele.

É nesse momento que a comunicação entre Moraes e seus alunos se faz tão importante. "De alguma maneira, em alguns casos, consigo identificar qual foi o motivo que fez com que o aluno não conseguisse a vaga. Pode ser que ele tenha exposto de mais suas opiniões pessoais, ou em alguns casos, mostrado apenas seu lado técnico", explica o acadêmico. Por isso o incentivo é tão importante dentro da sala de aula. "Temos de descobrir o que mais atrai o estudante nas aulas e pensar sempre no seu futuro profissional. É com base nesses dados que vamos direcioná-lo para o mercado. Sempre com motivação, que deve ser o ponto principal dentro dessa relação", acrescenta ele.

Estar fora do setor em que você estuda e onde pretende trabalhar não significa que será muito mais difícil conseguir se colocar. De uma forma geral, as empresas buscam saber o máximo sobre passado do candidato na hora da contratação. A experiência profissional dentro da sua área de estudo é vista com bons olhos, mas não é determinante no ingresso no mercado de trabalho. De acordo com Bianca Mastropietro, chefe de recrutamento de estágio e trainee da Editora Abril, o importante é ter passado por alguma experiência profissional. Para ela, o problema pode estar naqueles que nunca trabalharam em lugar nenhum. "De uma maneira geral, o contratante vê o recém-formado que não tem nenhuma experiência profissional como alguém acomodado", alerta ela.

A recrutadora não acha que a universidade forma o aluno para o mercado de trabalho e é por isso que a experiência corporativa se faz tão importante. "É no estágio que o estudante terá a chance de se testar e isso só se consegue durante a graduação", exemplifica Bianca. Ela diz ainda que outro erro comum dos formandos é achar que terão chance nos processos de trainee que são abertos para quem já se formou. "Costumamos receber milhares de inscrições para esses programas, ele é realmente muito concorrido. Por isso, não é aconselhável contar apenas com ele", declara Bianca.

Existe também, para aqueles que se identificaram com o meio acadêmico, a possibilidade de continuar dentro da universidade e desenvolver projetos de pesquisa. Mesmo que nunca se tenha trabalhado para uma empresa no segmento, há a possibilidade de tentar até uma bolsa para isso, além da iniciação cientifica dentro da própria universidade. O coordenador de engenharia química da Unifesp chama a atenção para esse tipo de trabalho, que pode servir de trampolim para estudantes que queiram uma carreira futura como pesquisadores e professores universitários. "As instituições de Ensino Superior devem praticar o tripé de ensino, pesquisa e extensão, e dentro disso, desenvolver o aluno para o meio acadêmico", afirma ele, que cita as bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), como um dos caminhos possíveis para tal estratégia.

Fonte: http://www.administradores.com.br

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