quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ana Paula Ribeiro Tavares - Tratem-me com a massa

"Amparai-me com perfumes, confortai-me com maçãs
que estou ferida de amor..."

Cântico dos Cânticos

Tratem-me com a massa
de que são feitos os óleos
p'ra que descanse, oh mães

Tragam as vossas mãos, oh mães,
untadas de esquecimento

E deixem que elas deslizem
pelo corpo, devagar

Dói muito, oh mães

É de mim que vem o grito.

Aspirei o cheiro da canela
e não morri, oh mães.

Escorreu-me pelos lábios o sangue do mirangolo
e não morri, oh mães.
De lábios gretados não morri

Encostei à casca rugosa do baobabe
a fina pele do meu peito
dessas feridas fundas não morri, oh mães.

Venham, oh mães, amparar-me nesta hora
Morro porque estou ferida de amor.

Fonte: betogomes.sites.uol.com.br

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