sábado, 26 de junho de 2010

Pablo Neruda - O CABELO

Pesado, espesso e rumoroso,
no ventaria do castelo
o cabelo da amada
é um lampadário amarelo.

- suas mãos brancas em minha boca.
- minha frente em sua frente enluarada
Pellàs, bêbado, cambaleia
debaixo da perfumada floresta.

- Melisanda, uma lebre uiva,
para as estradas de aldeia
- Sempre que esses uivam as lebres
morro de susto, Pelleas.

- Melisanda, uns galopes de corcel,
se aproxime a floresta de loureiros.
- Eu tremo, Pelleas, na noite
quando aos galopes dos corcéis.

- Pelleas, alguém me tocou
como uma mão fina.
- Sério o beijo de seu amante
ou a asa de uma andorinha.

Na janela do castelo
há lampadário amarelo
de um cabelo milagroso.

Bêbado, Pelleas vai furioso,
o coração também quis
ser uma boca que se beija.

Fonte: http://www.psbnacional.org.br/upd_blob/0001/1081.pdf

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