sexta-feira, 16 de julho de 2010

Álvares de Azevedo - Minha Desgraça

Minha desgraça não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco...
E, meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco...

Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro...

Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que meu peito assim blasfema,
É ter por escrever todo um poema
E não ter um vintém para uma vela.

Lira dos Vinte Anos – Álvares de Azevedo
Editora Martins Fontes
Edição preparada por Maria Lúcia Dal Farra 1996


Fonte: Prosa@Poesia

0 comentários:

Postar um comentário