segunda-feira, 26 de julho de 2010

Amadeu Amaral - A Vida

No alto da escarpa, além, escorre e brilha
um leve, pequenino manancial:
é, entre rochas, uma fina estilha
de prata com sonidos de cristal.

Filha do morro, a fonte, boa filha,
agarra-se teimosa ao chão natal,
à trama das raízes, à escumilha
das ervas, aos farpões do pedregal.

Doce água! Aquele que a tomasse à fonte,
após lenta ascensão por duro monte,
esse a pudera bem julgar, enfim;

mas, não merece tanto esforço: escorre
abandonada e no abandono morre...
— Dentro de nós há mananciais assim.

16 de junho de 1921

Publicado no livro Lâmpada antiga: versos (1924). Poema integrante da série Um Punhado de Sonetos.

Fonte: www.capivari.sp.gov.br

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