segunda-feira, 26 de julho de 2010

Amadeu Amaral - Vóz Íntima

Fecha-te, sofredor, na alva túnica ondeante

Dos sonhos! E caminha, e prossegue, embebido,

Muito embora, na dor de um fiei celebrante

De um estranho ritual desdenhado e esquecido!



Deixa ressoar em torno o bárbaro alarido,

Deixa que voe o pó da terra em torno... Adiante!

Vai tu só, calmo e bom, calmo e triste, envolvido

Nessa túnica ideal de sonhos, alvejante.



Sê, nesta escuridão do mundo, o paradigma

De um desolado espectro, uma sombra, um enigma,

Perpassando sem ruído a caminho do Além.



E só deixes na terra uma reminiscência:

A de alguém que assistiu à luta da existência,

Triste e só, sem fazer nenhum mal a ninguém.


Fonte: www.secrel.com.br

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