segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ariano Suassuna - O Mundo do Sertão

Diante de mim, as malhas amarelas
do mundo, Onça castanha e destemida.
No campo rubro, a Asma azul da vida
à cruz do Azul, o Mal se desmantela.

Mas a Prata sem sol destas moedas

perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas;
e a Marca negra esquerda inesquecida
corta a Prata das folhas e fivelas.

E enquanto o Fogo clama a Pedra rija,

que até o fim, serei desnorteado,
que até no Pardo o cego desespera,

o Cavalo castanho, na cornija,

tenha alçar-se, nas asas, ao Sagrado,
ladrando entre as Esfinges e a Pantera.

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=4561

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