segunda-feira, 26 de julho de 2010

Carlos Drummond de Andrade - A Vida Passada a Limpo

Ó esplêndida lua, debruçada
sobre Joaquim Nabuco, 81.
Tu não banhas apenas a fachada
e o quarto de dormir, prenda comum.

Baixas a um vago em mim, onde nenhum

halo humano ou divino fez pousada,
e me penetras, lâmina de Ogum,
e sou uma lagoa iluminada.

Tudo branco, no tempo. Que limpeza

nos resíduos e vozes e na cor
que era sinistra, e agora, flor surpresa,

já não destila mágoa nem furor:

fruto de aceitação da natureza,
essa alvura de morte lembra amor. 

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1521

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