sexta-feira, 9 de julho de 2010

Descobrindo a fenomelogia

Achei esse texto em meio a arquivos antigos salvos em um CD, escrevi quando estudava psicologia em 2004 ou 2005, não lembro direito, mas é bem interessante (pra mim pelo menos).


“Não é por ignorância transito, mas se fosse unicamente pra menoscapar da minha alta prosopopéia, dar-te-á um soco no alto da sinagoga que fosse ia mais raso do que o solo fértil...” (Zeca Baleiro)


Foi assim que me soou a fenomenologia quando ouvi pela primeira vez, declamada por uma professora pequena (pouco menos de um metro e meio) em frente à sala de aula, confesso que não entendi nada daquele papo de Husserl, voltar às coisas mesmas, ser-no-mundo, descrever os fenômenos tais como eles se apresentam.


Em seguida, uma outra professora (essa muito maior) e com um modo meio desajeitado de ser, mas com uma simplicidade e um carisma enorme fez o possível e o impossível para acabar com nossa principal aflição: entender como se “usa” o método fenomenológico.


Mas foi no segundo ano, com o Estágio Básico que comecei a entender o tal olhar fenomelógico; aconteceu num congresso em Brasília, num momento de descontração a beira do Lago Paranoá, um debate regado a cerveja sobre a dialética marxista que a “caiu a ficha”:


Passava ao nosso lado um senhor de aproximadamente 45 anos, vestido em trapos, com um odor fétido, esse senhor falava com o lago como se o lago fosse um conhecido seu de longa data, meus amigos falaram que ele era louco, então, pensei comigo: o que se passa na vida dessa pessoa, foi então que decidi conversar com ele, surpresa, esse individuo era de uma lucidez enorme, com uma história de vida única e conversar com o Lago Paranoá era o modo que esse senhor tinha de desabafar seus problemas, suas angústias, tristezas para o mundo, como ele mesmo disse “esse lago é a única pessoa que me escuta e não me julga pelo que visto e pelo que não tenho”.


Foi assim que comecei a entender a expressão ser-no-mundo, mas confesso que tenho muita resistência ao ser chamado de patinho pela professora.


"Em algum lugar, há tempos e tempos atrás

Dois Caminhos divergiram no bosque, e eu

Eu optei pelo menos concorrido

E isso fez toda diferença.”

(Robert Frost, The Road not Taken, 1916)

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