sexta-feira, 30 de julho de 2010

Florbela Espanca - A maior tortura

A um grande poeta de Portugal

Na vida, para mim, não há deleite.

Ando a chorar convulsa noite e dia...
E não tenho uma sombra fugidia
Onde poise a cabeça, onde me deite!

E nem flor de lilás tenho que enfeite

A minha atroz, imensa nostalgia! ...
A minha pobre Mãe tão branca e fria
Deu-me a beber a Mágoa no seu leite!

Poeta, eu sou um cardo desprezado,

A urze que se pisa sob os pés.
Sou, como tu, um riso desgraçado!

Mas a minha tortura inda é maior:

Não ser poeta assim como tu és
Para gritar num verso a minha Dor!...

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1641

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