segunda-feira, 26 de julho de 2010

Florbela Espanca - Tortura

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
-- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,

E puro como um ritmo de oração!
-- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:

Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,

O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!


Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1633

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