sábado, 17 de julho de 2010

Ieda Brock - Apenas Saudades

Ah, que saudades que dá na gente
Quando se acorda cedito e não se escuta o
Galo cantar, o cusco a latir e as vacas a berrar.

Saudades de ver o terneirinho pulando faceiro
Em roda de sua mãe.

Saudades do fogão de lenha que de longe
Se vê a fumaça se perder no ar.

Daquele café gostoso do bule preto,
Da broa de milho com manteiga e chimia,
E às vezes até torresmo pra quem queria.

Ah, saudades de andar na geada sentindo os
Estalinhos do gelo,
De parecer que está fumando,
De ficar com lábios e bochechas vermelhos
E voltar pra casa correndo
Sentar em um banquito
Na frente do fogão até se esquentar.

Saudades do chimarrão antes do meio-dia
Dos bolinhos de sonhos com canela nos dias de chuva.

Saudades do entardecer,
Dos animais se achegando pro galpão,
Dos banhos rápidos por causa do frio.

Ah, e que saudades do pijama de pelúcia cheio de bichinhos,
Da sopa com bastante tempero levantando fumaça.

Saudades da oração do Santo Anjo,
Saudades de uma noite tranqüila
Ouvindo sons de grilo e coruja cantar.

Saudades,
Apenas saudades.

Seleção da minha amiga
@FezinhaSaldanha

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