quarta-feira, 28 de julho de 2010

Vinicius de Moraes - O anjo de pernas tortas

A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança

Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés – um pé-de-vento!

Num só transporte a multidão contrita

Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende: – Goooool!

É pura imagem: um G que chuta um o
Dentro da meta, um 1. É pura dança!

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5084

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