domingo, 15 de agosto de 2010

Antero de Quental - Intimidade

Quando, sorrindo, vais passando, e toda
Essa gente te mira cobiçosa,
És bela - e se te não comparo à rosa,
É que a rosa, bem vês, passou de moda...

Anda-me às vezes a cabeca à roda,

Atrás de ti também, flor caprichosa!
Nem pode haver, na multidão ruidosa,
Coisa mais linda, mais absurda e doida.

Mas é na intimidade e no segredo,

Quando tu coras e sorris a medo,
Que me apraz ver-te e que te adoro, flor!

E não te quero nunca tanto (ouve isto)

Como quando por ti, por mim, por Cristo,
Juras - mentindo - que me tens amor... 

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=2275

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