domingo, 15 de agosto de 2010

Antero de Quental - Oceano Nox

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o vôo do pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,

Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,

Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde

O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=2278

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