domingo, 15 de agosto de 2010

Antero de Quental - Uma Amiga

Aqueles que eu amei, nao sei que vento
Os dispersou no mundo, que os nao vejo...
Estendo os bracos e nas trevas beijo
Visoes que a noite evoca o sentimento...

Outros me causam mais cruel tormento

Que a saudade dos mortos... que eu invejo...
Passam por mim... mas como que tem pejo
Da minha soledade e abatimento!

Daquela primavera venturosa

Nao resta uma flor so, uma so rosa...
Tudo o vento varreu, queimou o gelo!

Tu so foste fiel - tu, como dantes,

Inda volves teus olhos radiantes...
Para ver o meu mal... e escarnece-lo!

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=2276

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