sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Carlos Drummond de Andrade - Soneto da perdida esperança

Perdi o bonde e a esperança
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta

em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo

ou se é alguém que se diverte
porque não? na noite escassa

com um insolúvel flautim.

Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1524

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