domingo, 29 de agosto de 2010

Florbela Espanca - Castelã da tristeza

Altiva e couraçada de desdém,
Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!
Passa por ele a luz de todo o amor...
E nunca em meu castelo entrou alguém!

Castelã da Tristeza, vês?... A quem? ...

-- E o meu olhar é interrogador --
Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr...
Chora o silêncio... nada...ninguém vem...

Castelã da Tristeza, porque choras

Lendo, toda de branco, um livro de horas,
À sombra rendilhada dos vitrais?...

À noite, debruçada, plas ameias,

Porque rezas baixinho? ... Porque anseias?...
Que sonho afagam tuas mãos reais?

http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1632

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