quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Vinícius de Moraes - Quatro Sonetos de Meditação - II

Uma mulher me ama. Se eu me fosse
Talvez ela sentisse o desalento
Da árvore jovem que não ouve o vento
Inconstante e fiel, tardio e doce

Na sua tarde em flor. Uma mulher

Me ama como a chama ama o silêncio
E o seu amor vitorioso vence
O desejo da morte que me quer.

Uma mulher me ama. Quando o escuro

Do crepúsculo mórbido e maduro
Me leva a face ao gênio dos espelhos

E eu, moço, busco em vão meus olhos velhos

Vindos de ver a morte em mim divina:
Uma mulher me ama e me ilumina.

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1511

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