quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Vinícius de Moraes - Quatro Sonetos de Meditação - IV

Apavorado acordo, em treva. O luar
É como o espectro do meu sonho em mim
E sem destino, e louco, sou o mar
Patético, sonâmbulo e sem fim.

Desço na noite, envolto em sono; e os braços

Como ímãs, atraio o firmamento
Enquanto os bruxos, velhos e devassos
Assoviam de mim na voz do vento.

Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe

Sem dimensão e sem razão me leva
Para o silêncio onde o Silêncio dorme

Enorme. E como o mar denro da treva

Num constante arremesso largo e aflito
Eu me espedaço em vão contra o infinito.

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1513

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