quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Vinícius de Moraes - Quatro Sonetos de Meditação - III

O efêmero. Ora, um pássaro no vale
Cantou por um momento, outrora, mas
O vale escuta ainda envolto em paz
Para que a voz do pássaro não cale.

E uma fonte futura, hoje primária

No seio da montanha, irromperá
Fatal, da pedra ardente, e levará
À voz a melodia necessária.

O efêmero. E mais tarde, quando antigas

Se fizerem as flores, e as cantigas
A uma nova emoção morrerem, cedo

Quem conhecer o vale e o seu segredo

Nem sequer pensará na fonte, a sós...
Porém o vale há de escutar a voz.

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1512

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