sábado, 11 de setembro de 2010

Descrição Fenomenológica - 11 de Setembro

Texto da época que estudava psicologia (provavelmente 2005), nem lembrava que havia escrito,  achei interessante, espero que gostem.

Dia 11 de Setembro, ficou marcado na história como o dia do atentado terrorista às Torres Gêmeas em NY, em todos os cantos do mundo algum tipo de reverencia às vitimas daquele atentado deve com certeza ter sido realizada, contudo em São Paulo como em outras partes do mundo e para inúmeras pessoas o 11 de setembro deste ano foi mais um dia de trabalho e para mim também é por aqui que começo minha descrição.

Eram aproximadamente nove horas da manhã, quando cheguei ao meu serviço na Vila Matilde, como muitos já devem saber é na Vila Matilde o Comitê Central de Campanha em que trabalho, logo ao chegar me deparei com meus colegas de trabalho nervosos, todos envolvidos em um clima tenso, onde cada um parecia que se queixava consigo mesmo e ao mesmo tempo seus olhares conversavam comigo, como se já soubessem que eu iria entrar naquele clima em seguida, pois bem, neste momento fomos todos chamados para uma reunião, a partir daí tudo mudou, a tensão de meus colegas passou a ser vista por mim com outros “olhos”, “olhos” de quem foi tomado pela mesma, era apenas mais uma reunião de trabalho, onde deveríamos discutir e encaminhar algumas pendências, mas foi uma reunião para  “Pilhar”, onde  “tencionar” é a forma de obter mais e melhores resultados, ainda mais quando se faltam 20 dias para as eleições e tudo o que se foi feito em dois meses, tem que ser refeito e ainda ampliado, desse modo passou o dia , tenso e cheio de cobranças.

Ao final do dia, lá pelas 21 horas, me preparei para ir embora, juntei meus pertences e fui em direção do metrô, tudo estava tranqüilo até eu fazer a baldeação no metrô Sé para ir com destino ao Jabaquara, ao me sentar liguei meu disckman para passar o tempo, pois já estava nervoso, cansado e estressado, nesse momento percebi que sentava ao meu lado uma pessoa que exalava um cheiro forte de álcool e nitidamente estava embriagado, mas continuei a escutar música como se nada acontecesse, foi quando esta pessoa me cutucou e perguntou por que eu a olhava, disse a ela que não estava olhando e virei para meu lado, mas o sujeito insistia em me cutucar e perguntar por que eu o olhava e eu continuava a dizer que não estava olhando, em seguida este sujeito começou a falar em voz alta, quase gritando que eu estava olhando para ele por que ele era “Preto” e estava mal vestido, eu tentei explicar ao fulano que aquilo não era verdade e que eu não tinha este tipo de preconceitos ainda mais por vir de uma família humilde, mas o sujeito nitidamente estava procurando confusão.

Neste momento estávamos chegando à estação Vila Mariana, então, decidi descer e pegar outro carro, justamente para não acabar brigando, pois já estava quase me “estourando” de raiva, minhas mãos suavam, estava mais vermelho do que o normal, meus dentes estavam friccionados, estava tremendo e meu coração “batia a mil”, enquanto isso cheguei a estação e o cara não parava de falar, mas me levantei e antes de descer reparei que todos que estavam no vagão prestavam atenção àquela cena que pra mim era ridícula, contudo o sujeito continuava a deflagram palavras fortes contra minha pessoa em alto e bom som, respirei, “contei até 375” e sai em direção a plataforma, percebi que o individuo vinha logo atrás de mim,

Ao sair virei para o trem e me deparei com o dito cujo frente e frente comigo, gritando e me cutucando no peito, eu tentei ainda conversar e procurar uma saída plausível, mas fui surpreendido com um soco no peito, neste momento, eu não via mais nada a não ser o sujeito que estava na minha frente, minha mente trabalha a mil, milhares de possibilidades passavam a minha cabeça, meu nervosismo aumento e deu lugar a uma fúria enorme, à qual não puder conter, ele virou para correr de volta para o vagão e eu corri atrás e lhe dei um chute no lado interior da coxa, ele conseguiu entrar de volta no vagão e as portas se fecharam, mesmo mancando ele ainda me fez com gesto obsceno com seu dedo, fiquei mais furioso, mas o trem se partiu e me vi na plataforma do metrô como um louco andando de um lado para o outro tentando me acalmar, respirei fundo novamente e entrei em outro trem que acabava de chegar, pensei comigo “acabou, nunca mais verei este sujeito”.

Enfim, tentei continuar a viagem até minha casa como uma pessoa normal e a viagem se deu dessa maneira até o Jabaquara, ao chegar ao ponto de ônibus olhei para o relógio e percebi que não tinham se passado nem 15 minutos do ocorrido, mas para mim a noção de temporalidade era outra, segundos se transformavam em horas, esse era o tempo que eu percebia no mundo, era o tempo que eu esperava o ônibus.

Quando pensei que tudo tinha acabado escuto uma voz ao fundo, olhei para trás e quem era?, o individuo que provocara em mim um sentimento que a muito tempo não sentia mais e que transformou meu dia 11 de setembro em um dia de caos, como já estava com a cabeça mais fria, tentei ficar longe do alcance dos olhos dele, mas foi em vão, ele me viu e veio em minha direção e em fração de segundos todos àqueles sentimentos voltaram e fui em direção ao individuo e dei um soco em seu rosto, ele caiu e comecei a chutá-lo no chão, eu não sabia mais o que estava fazendo, nem tinha controle sobre meus atos, então, fui seguro por um grupo de pessoas que ali estavam e o sujeito arrastado para longe de mim por outro, tentaram me acalmar e me colocaram no ônibus, pois o cobrador me conhecia...

Finalmente cheguei em casa, mas não tinha acabado, ainda tinha que enfrentar a pior de todas as situações, ficar só comigo mesmo e pensar sobre meu dia e o que havia acontecido, raciocinar sobre meus atos e chorar por não ter tido controle e agredido uma pessoa a qual e não conhecia,  não sabia sua história e muito menos pelo que ela tinha passado.

Dia 11 de setembro, dia de raiva, fúria, tristeza, ressentimento e lágrimas.

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