segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Fernando Pessoa - Como uma voz de fonte que cessasse

Como uma voz de fonte que cessasse
(E uns para os outros nossos vãos olhares
Se admiraram), p'ra além dos meus palmares
De sonho, a voz que do meu tédio nasce

Parou... Apareceu já sem disfarce

De música longínqua, asas nos ares,
O mistério silente como os mares,
Quando morreu o vento e a calma pasce...

A paisagem longínqua só existe

Para haver nela um silêncio em descida
P'ra o mistério, silêncio a que a hora assiste...

E, perto ou longe, grande lago mudo,

O mundo, o informe mundo onde há a vida...
E Deus, a Grande Ogiva ao fim de tudo... 

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1431

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