segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Fernando Pessoa - Em Busca da Beleza I

Soam vãos, dolorido epicurista,
Os versos teus, que a minha dor despreza;
Já tive a alma sem descrença presa
Desse teu sonho, que perturba a vista.

Da Perfeição segui em vã conquista,

Mas vi depressa, já sem a alma acesa,
Que a própria idéia em nós dessa beleza
Um infinito de nós mesmos dista.

Nem à nossa alma definir podemos

A Perfeição em cuja estrada a vida,
Achando-a intérmina, a chorar perdemos.

O mar tem fim, o céu talvez o tenha,

Mas não a ânsia da Cousa indefinida
Que o ser indefinida faz tamanha. 

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1437

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