segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Florbela Espanca - Eu

Até agora eu não me conhecia.
Julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu não era Eu não o sabia

E, mesmo que o soubesse, não o dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim...e não me via!

Andava a procurar-me -- pobre louca!

E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!

E esta ânsia de viver, que nada acalma,

É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1703

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