segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Florbela Espanca - Princesa desalento

Minh'alma é a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
É magoada, e pálida, e sombria,
Como soluços trágicos de vento!

É frágil como o sonho dum momento;

Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria:
Minh'alma é a Princesa Desalento...

Altas horas da noite ela vagueia...

E ao luar suavíssimo, que anseia,
Põe-se a falar de tanta coisa morta!

O luar ouve a minh'alma, ajoelhado,

E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra duma cruz à tua porta...

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1691

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