quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Alfredo Guilherme Galliano - Petroleo

Petróleo, negra clorofila, 
torrente de sangue derramado,
espuma de lágrimas em fila
no leito do solo sufocado.

Petróleo, meu verso de argila, 
adubo de chão não semeado,
o dolar que mata e aniquila
amarga o teu canto rendilhado.

Soldado da paz encarcerado,
teu corpo, irmão, está gelado
nas trevas da noite dominante.

Aurora terás, irmão amado,
no ventre do solo profanado
por sólida sonda perfurante.

Alguma Poesia de Alfredo Guilherme Galliano
Fonte: Revista Fundamentos, nº 39 - Novembro de 1955.

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