segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Alexandre Prestes - Deserto

Às vezes me sinto como num deserto.

Vejo-me em meio ao nada, olho para todos os lados e só vejo areia, o sol escaldante queima minha pele, irrita meus olhos, mexe com minha cabeça.

Em meio ao nada onde me encontro vejo surgir em minha frente um Oasis, um lugar desses de filmes, um paraíso verde, com sombras das arvores, uma fonte de água limpa, fresca e cristalina.

Nesse lugar estou livre de meus problemas, do calor, do transito, das dificuldades, do caos...

Nesse lugar ouço apenas o vento tocar as folhas verdes das arvores que parecem colocar seus galhos para sombrear por onde piso ouço a água correr pelo seu leito, os pássaros cantando como se eternamente anunciassem a chegada da primavera, a mais bela das estações.

Nesse paraíso me sinto bem, nem quente demais, nem frio demais, temperatura agradável o suficiente para vestir apenas uma bermuda, bem diferente do calor infernal da selva de pedras.

Nesse lugar não há competição, não há melhores ou piores, não há pobres ou ricos, exploradores ou explorados, existem apenas pessoas, seres humanos, que tem sentimentos, necessidades, vontades, desejos, seres que respiram, que sentem dor, que se machucam, apenas pessoas, como no inicio.

Nesse lugar não existe propriedade, posses, nada é de ninguém, tudo que existe pertence a todos.

Nesse lugar demonstrar seus sentimentos é normal, é natural, sadio e aplaudido.

Esse lugar existe?

Que lugar é esse?

Não estou delirando, esse deserto é o mundo onde vivo, minha realidade.

Esse Oasis é onde busco refugio todas as noites. 

Onde é? Não posso contar, mas garanto que existe.

Um dia farei desse Oasis minha casa, até lá apenas me refugio nele para enfrentar mais um dia no deserto.

2:05, Seg 15/11/2010.

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