domingo, 26 de dezembro de 2010

Ariano Suassuna - A Morte — O Sol do Terrível

(com tema de Renato Carneiro Campos)

Mas eu enfrentarei o Sol divino,
o Olhar sagrado em que a Pantera arde.
Saberei porque a teia do Destino
não houve quem cortasse ou desatasse.

Não serei orgulhoso nem covarde,

que o sangue se rebela ao toque e ao Sino.
Verei feita em topázio a luz da Tarde,
pedra do Sono e cetro do Assassino.

Ela virá, Mulher, afiando as asas,

com os dentes de cristal, feitos de brasas,
e há de sagrar-me a vista o Gavião.

Mas sei, também, que só assim verei

a coroa da Chama e Deus, meu Rei,
assentado em seu trono do Sertão.

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=4566

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