domingo, 26 de dezembro de 2010

Carlos Drummond de Andrade - Confronto

Bateu Amor à porta da Loucura.
"Deixa-me entrar - pediu - sou teu irmão.
Só tu me limparás da lama escura
a que me conduziu minha paixão."

A Loucura desdenha recebê-lo,

sabendo quanto Amor vive de engano,
mas estarrece de surpresa ao vê-lo,
de humano que era, assim tão inumano.

E exclama: "Entra correndo, o pouso é teu.

Mais que ninguém mereces habitar
minha casa infernal, feita de breu,

enquanto me retiro, sem destino,

pois não sei de mais triste desatino
que este mal sem perdão, o mal de amar."

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1525

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