domingo, 26 de dezembro de 2010

Carlos Drummond de Andrade - Jardim

Negro jardim onde violas soam
e o mal da vida em ecos se dispersa:
à toa uma canção envolve os ramos
como a estátua indecisa se reflete

no lago há longos anos habitado

por peixes, não, matéria putrescível,
mas por pálidas contas de colares
que alguém vai desatando, olhos vazados

e mãos oferecidas e mecânicas,

de um vegetal segredo enfeitiçadas,
enquanto outras visões se delineiam

e logo se enovelam: mascarada,

que sei de sua essência (ou não a tem),
jardim apenas, pétalas, presságio 

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1516

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