domingo, 26 de dezembro de 2010

Carlos Drummond de Andrade - Sonetilho do Falso Fernando Pessoa

Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.

Sem mim como sem ti

posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.

Nem Fausto nem Mefisto,

à deusa que se ri
deste nosso oaristo,

eis-me a dizer: assisto

além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto. 

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=1519

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