domingo, 26 de dezembro de 2010

Euclides da Cunha - Mundos extintos

São tão remotas as estrelas que, apesar da vertiginosa velocidade da luz, elas se apagam. e continuam a brilhar durante séculos.

MORREM OS MUNDOS... Silenciosa e escura,

Eterna noite cinge-os. Mudas, frias,
Nas luminosas solidões da altura
Erguem-se, assim, necrópoles sombrias...

Mas pra nós, di-lo a ciência, além perdura

A vida, e expande as rútilas magias...
Pelos séculos em fora a luz fulgura
Traçando-lhes as órbitas vazias.

Meus ideais! extinta claridade -

Mortos, rompeis, fantásticos e insanos
Da minh'alma a revolta imensidade...

E sois ainda todos os enganos

E toda a luz, e toda a mocidade
Desta velhice trágica aos vinte anos...

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=2396

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