domingo, 26 de dezembro de 2010

Euclides da Cunha - Um soneto

A vez primeira que eu te vi, em meio
Das harmonias de uma valsa, elado
O lábio trêmulo, esplêndido, rosado,
Num riso, um riso de alvoradas cheio.

Cheio de febres, em febril anseio

O meu olhar fervente, desvairado
Como um condor de flamas emplumado
Vingou-se a espádua e devorou-te o seio.

Depois, delírio atroz, loucura imensa!

A alma, o bem, a consciência, a crença
Lancei no incêndio dos olhares teus...

Hoje estou pronto à lívida jornada

Da descrença sem luz, da dor do nada...
Já disse ontem à noite, adeus, a Deus!

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=2400

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