terça-feira, 8 de março de 2011

José Saramago - Não me peçam razões

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda

A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,

Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor da primavera que há-de vir.


Poesia completa – Tradução Ángel Campos Pámpano
Editora Alfaguara
Ano 2005
Fonte: http://www.grabois.org.br/

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