segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Carlos Drummond de Andrade - A Castidade com que Abria as Coxas

A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estrita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres

em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.

Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.


Carlos Drummond de Andrade, in 'O Amor Natural'
Fonte: http://www.citador.pt/poemas/a-castidade-com-que-abria-as-coxas-carlos-drummond-de-andrade

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