quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Histórias do Metrô #02 - O assento reservado.




Certo dia no metrô, que pra "variar" estava completamente lotado, havia um rapaz franzino, aparentava ter seus vinte e poucos anos, ele vestia calças largas (tipo skatista) e camisa regata.

Vamos à história:

Esse rapaz, estava sentado no famoso e detestado banco azul, banco reservado à pessoas com dificuldade de locomoção, idosos, etc, e aparentemente não tinha nada que o colocasse na condição de especial, como também não havia nada aos meus olhos que não o colocasse.

O fato é que durante a viagem, entrou uma senhora de certa idade e notoriamente nervosa. Ela entrou empurrando, resmungando algo do tipo:

- Dá licença pra idosa!
- Sai que a vó vai passar!

Entre um empurrão e outro ela chega até o acento reservado, o mesmo acento onde esta o rapaz. Imediatamente ela em um tom de voz autoritário e elevado, fala:

- Você não tem vergonha na cara?
- Não vê que este banco é pros velhos?

O rapaz tenta argumentar:

- Minha senhora ...

Mas é interrompido.

- Minha senhora é uma óva! Responde a vovó nervosa.
- Se eu fosse sua mãe ou sua "vó" você iria apanhar aqui na frente de todos desse trem.

O rapaz nitidamente intimidado, tentava explicar alguma coisa para aquela senhora, mas ela não o deixava falar.

Certo momento ela dá o ultimato.

- Se você me der lugar? Eu vou chamar o segurança, vou mandar te prender!

O rapaz, que estava vermelho e constrangido pelo escândalo e pela cara de reprovação que os demais passageiros faziam, mexia em sua perna.

De repente, este rapaz levanta a barra da calça, pega a prótese nas mãos e leva em direção a tal senhora e diz.

- A senhora se incomoda de segurar pra mim enquanto estiver sentada?

Neste momento as portas se abriram, a senhora e os demais passageiros que o recriminavam com o olhar saíram.

Eu também fui, mas fiquei pensativo.

As aparências enganam.

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