domingo, 4 de maio de 2014

Histórias do Metrô #05 - Rolou uma química

Dia desses como de costume, aguardei na estação Jabaquara do metrô um trem onde pudesse fazer minha viagem sentado, ninguém merece tomar transporte publico na ultima (ou primeira) estação e seguir viagem em pé.

Pois bem, me sentei de costas para o vidro, no banco ao lado da porta.

Um rapaz aparentando uns 30/35 anos sentou no banco ao lado.

Liguei o MP3 no volume máximo para não ouvir a conversa alheia e seguimos viagem.

Algumas estações a frente, entra uma bela moça (não detalharei, pois não é alvo desta história), que se senta ou lado do rapaz. Ambos ao meu lado.

De repente, ela vira para o rapaz e diz:

- Fulano (vamos preservar a identidade do indivíduo), quanto tempo? Lembra de mim? Estudamos juntos.

Ele, com um sorriso digno de final de brasileirão, prontamente diz:

- Claro que lembro. Nossa, você esta muito mais bonita.

Neste momento, percebendo a "valetada", discretamente abaixei o MP3 e passei a dar mais atenção à conversa.

Ela responde quase que "por cima" do elogio que recebeu:

- Você também, o tempo te fez bem, esta um gato.

 O valete emenda.

- O que tem feito neste tempo todo? Casou? Teve filhos?

A moça responde

- Casei, mas separei a um ano. Ainda bem que não tive filhos. E você?

Ele

- Nossa, que coincidência,  também casei, mas não tive filhos. Estou separado a 6 meses.

Nessa hora ja podia perceber parte dos passageiros, além de mim, prestando atenção na conversa do "casal".

Ele emenda uma pergunta.

- Você trabalha? Estudou?

Ela responde.

- Sim, me formei em química.

O valete ficou tão feliz que nem deixou a moça terminar.

- Não acredito, eu sou engenheiro químico. Nossa! Que coincidência maravilhosa.

Nessa altura todos já torciam para que os dois se "arrumassem".

O valete emenda outra pergunta:

Se formou onde?

A moça com um sorriso ingênuo prontamente responde.

- Me formei na Embelezze. Faço tintura, alisamento...

Um silencio tomou conta do casal, que até poucos minutos tagarelava no metrô.

O rapaz nitidamente frustrado, diz.

- Eu desço na próxima estação. Bom te ver.

Ela deixa um pedaço de papel com o rapaz(acredito que com o contato dela) e se despendem.

Eu volto aumento o volume da musica e sigo viagem com uma questão na cabeça.

Por que o valete não investiu? Preconceito ou frustração?

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